Queridas e queridos,
Queridas e queridos,
No próximo dia 25/05, terça-feira, às 14h30, teremos a conferência "Antes da pandemia: memória e identidade numa perspectiva semiótica", que será proferida pela prof.ª Dr.ª. Mariana Luz Pessoa de Barros (UFSCAR)*, no Seminário de Semiótica da Unesp (SSU). A transmissão será via YouTube e os certificados serão atribuídos via inscrição no formulário de presença, que será disponibilizado no chat durante o evento.
Antes da pandemia: memória e identidade numa perspectiva semiótica
Em termos semióticos, a pandemia chegou como um acontecimento, chegou antes que estivéssemos preparados, como indivíduos e sociedade; chegou de forma tônica, como um golpe; chegou nos retirando da passagem regular do tempo ou ainda suprimindo o espaço. Esse evento terrível e paroxístico, ao contrário das expectativas iniciais e do que se nota em discursos negacionistas, ganhou longevidade. O que acontece com a identidade quando a excepcionalidade se torna duradoura? Qual é o lugar da memória num momento como o que vivemos? Essas são algumas das questões sobre as quais procuraremos refletir nesta conferência, sem a pretensão de esgotá-las. Nosso intuito é, a partir de textos diversos, como relatos, fotografias, curtas, postagens, observar o modo como a memória de hábitos e de experiências anteriores à pandemia – e aqui retomamos as noções de memória-hábito e de imagem-lembrança (Bergson, 1896) – é reconstruída ao longo da própria pandemia e seu papel na manutenção ou dissolução de identidades.
*Nota biobibliográfica: Mariana Luz Pessoa de Barros é docente do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos e líder do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Semiótica. É mestre (2006) e doutora (2011) em Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo, realizou estágio de doutoradosanduíche na Université Paris 8, e possui pósdoutorado em Linguística (2016) pela Universidade de São Paulo. Entre suas publicações, encontram-se o livro O discurso da memória: entre o sensível e o inteligível (2012) e artigos sobre semiótica, tempo, memória e autobiografía.
E-mail: maluzpessoa@gmail.com
Queridas e queridos,
No próximo dia 27/04, terça-feira, às 14h30, teremos a conferência "Semiótica da violência: hegemonia da branquitude e desumanização na cobertura policial", que será proferida pelo prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann (Unesp)*, no Seminário de Semiótica da Unesp (SSU). A transmissão será via YouTube e os certificados serão atribuídos via inscrição no formulário de presença, que será disponibilizado no chat durante o evento.
Semiótica da violência: hegemonia da branquitude e desumanização na cobertura policial
A vida – cotidiana, afetiva, psíquica, material e simbólica – das brasileiras e dos brasileiros é inteiramente atravessada pelo racismo. Esse atravessamento se reproduz de modo contínuo por práticas sociais diversas, estabilizadas nos sistemas educacional e legislativo, no cânone literário, na indústria cultural e nos meios de comunicação de massa, por exemplo, que, de modo coordenado, emolduram formas de vida e modos de existência da branquitude. Esse emolduramento produz um corte profundo na cultura, pois a prevalência de valores hegemônicos da branquitude – determinados pelo que podemos chamar de arquiformas de vida – cria um simulacro de real que exclui do campo do humano o grupo de pessoas racializadas. Nesta reflexão, partindo dessas constatações imediatas, buscaremos compreender as formas de vida da violência em alguns veículos de imprensa, que redundam, de um lado, na banalização e na naturalização da violência policial, em um processo de desumanização de pessoas racializadas, e, de outro lado, em procedimentos de sensibilização e benevolência, ligados à arquiforma de vida da branquitude.
*Nota biobibliográfica: Matheus Nogueira Schwartzmann é docente do Departamento de Estudos Linguísticos, Literários e da Educação, da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Assis, e do Programa de Pós-graduação em Linguística e Língua Portuguesa, da Unesp de Araraquara, do qual é atualmente Vice-coordenador. Atua na área de semiótica discursiva. Tradutor de diversos artigos, é autor de trabalhos sobre discurso, práticas semióticas e formas de vida, como “O retrato da chacina: estratégias de humanização no Caderno Cotidiano” (2019), “A noção de texto e os níveis de pertinência da análise semiótica” (2018), “Reflexões para uma semiótica das culturas: o caso da identidade trans” (2017) e “A noção de gênero em Semiótica” (2012), estes últimos com Jean Cristtus Portela. Organizou obras como Leitura: a circulação de discursos na contemporaneidade (2013) e Semiótica: identidade e diálogos (2012), e foi Editor da Revista do GEL (2016-2020). Foi Coordenador do GT de Semiótica da ANPOLL no biênio 2018-2020, é Secretário da Associação Brasileira de Semiótica – ABES e líder do Grupo de Pesquisa em Semiótica da Unesp (GPS-Unesp)
Queridas e queridos,
No próximo dia 23/03, terça-feira, às 14h30, teremos a conferência "Narrativa de uma busca interminável: Lacunas no sujeito e na história em romances de Milton Hatoum", com a profa. Dra. Luiza Helena Oliveira da Silva (Universidade Federal do Tocantins), em ocasião do Seminário de Semiótica da Unesp (SSU). A transmissão será ao vivo via YouTube e as inscrições serão feitas aqui.
Narrativa de uma busca interminável: Lacunas no sujeito e na história em romances de Milton Hatoum
Dra. Luiza Helena Oliveira da Silva (UFT)*
Este trabalho analisa os romances A noite de espera (2017) e Pontos de fuga (2019), que compõem a trilogia O lugar mais sombrio, de Milton Hatoum. De natureza ficcional, tematizam o passado recente do país, imerso por anos (1964-1985) em uma ditadura. Seus personagens, transitando entre Brasília, São Paulo e Paris, são também protagonistas de movimentos de resistência política no contexto urbano e sofrem as consequências da prisão, tortura e morte aplicados aos considerados pelos militares como subversivos. Como elo entre tantas histórias que se cruzam, numa mistura de vozes que constroem uma narrativa cada vez mais polifônica, há o silêncio sobre o destino da mãe de Martim. Estratégia narrativa para postergar o desenlace e/ou projeto do autor para acentuar os vazios sobre o vivido nos anos de chumbo, é o silêncio e sua abertura para os sentidos possíveis que constroem Martim como sujeito da espera e de busca de uma verdade que demora a revelar-se. Na análise, mobilizamos estudos da literatura que tematizam a memória da ditadura e da semiótica discursiva, considerando categorias da sociossemiótica e da semiótica tensiva.
*Luiza Helena Oliveira da Silva é mestre e doutora em Letras pela Universidade Federal Fluminense e realizou estágio pós-doutoral em sociossemiótica no Centre de Recherches Politiques (CEVIPOF-CNRS) com bolsa CAPES entre 2013 e 2014.
Docente na Universidade Federal do Tocantins (UFT), câmpus de Araguaína, atua nos cursos de Licenciatura em Letras, Mestrado Profissional em Letras em Rede Nacional (ProfLetras) e Programa de Pós Graduação em Letras: Ensino de Língua e Literatura (PPGL). Além disso, atuou como docente permanente do Programa de Pós-graduação Cultura e Território (PPGCult) até 2020.
Desde 2015, é coordenadora do ProfLetras/UFT. Em 2016, assumiu como editora-chefe da Revista EntreLetras (PPGL/UFT).
Membro do GT de Semiótica da ANPOLL, a pesquisadora ocupa-se, em suas pesquisas, da semiótica discursiva aplicada ao ensino de língua e literatura, da memória e da formação de professores, da semiótica do espaço, bem como da semiótica e literatura do testemunho. Ela também é membro do grupo de pesquisa SEDI (Semiótica e Discurso), da UFF, coordena o GESTO (Grupo de Estudos do Sentido ? Tocantins), na UFT e, no biênio 2017-2019, foi membro da diretoria do GELLNORTE (Grupo de Estudos Linguísticos e Literários do Norte).
A indicação de leitura deste mês é o texto "Gêneros orais na escola" de Lúcia Teixeira. Nele, a semioticista trata de questões caras à educação, principalmente, no que diz respeito à noção de gêneros no ensino fundamental pautada na perspectiva bakhtiniana e nas contribuições da semiótica discursiva. A autora nos mostra,também, um exemplo da aplicação do conceito em sala de aula que abre possibilidades para o desenvolvimento de trabalhos que articulam atividades de expressão oral, leitura de textos e gramática.