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18 de nov. de 2014

Dissertação - O tempo na interpretação musical: uma escuta tensiva

A sugestão de dissertação desta semana é a pesquisa " O tempo na interpretação musical: uma escuta tensiva". Sob a autoria de Marina Maluli César, o trabalho foi defendido em 2012 no Programa de Pós-Graduação em Linguística da FFLCH/USP, sob a orientação do Prof. Dr. Luiz Tatit.

Resumo: Este trabalho tem como fundamentação teórica a semiótica de linha francesa e seus recentes desenvolvimentos tensivos. Tomamos como objeto de nosso estudo as variações de ritmo e andamento presentes em um texto sonoro, pela abordagem do plano de expressão musical. O objetivo deste trabalho consiste em compreender como tais possibilidades discursivas se articulam durante a realização da obra por um intérprete, a partir das indicações presentes na partitura. Após considerações iniciais sobre o texto e o intertexto musical, cuja finalidade é determinarmos o modo como estas potencialidades são manifestadas, consideramos o tempo em diferentes níveis segundo Gérard Grisey (1987, 2004, 2008) e Messiaen (1996, 1995, 1994). Em um segundo momento, buscamos articular os diferentes tipos de escuta segundo Schaeffer (1966) e Greimas (2008) ao considerar o ouvir como um fazer, o qual requer a aquisição de competências para tal. Partiremos da noção de ritmo em uma perspectiva fundamentada na semiótica tensiva em considerações sobre este tema propostas por Greimas e Courtés (1986), Valéry (2007), Zilberberg (1990, 1996, 2001, 2011) e Tatit (1998, 2010b). Finalmente, com apoio dos estudos sobre temporalidade realizados por Zilberberg e dos desenvolvimentos propostos por Tatit, empreendemos uma análise de seis interpretações de dois Noturnos de Chopin, sendo duas do opus 15 n. 3 e quatro do opus 27 n. 2, tendo como parâmetro de comparação o uso do tempo rubato durante as performances musicais. Nosso objetivo foi então estabelecer algumas diretrizes para se compreender os mecanismos de construção do sentido que resultam nos enunciados característicos do discurso musical, segundo as intenções de cada intérprete.

Palavras-chave:  Escuta; Interpretação musical; Ritmo; Tempo; Tensividade.

25 de ago. de 2014

Dissertação - VIDAS EM JOGO: UMA ANÁLISE SEMIÓTICA DA TELENOVELA (PosLing/UFF)

A sugestão de dissertação dessa semana é um estudo semiótico da novela Vidas em Jogo, transmitida pela Rede Record entre 2011 e 2012. A pesquisa foi desenvolvida por Alexandra Robaina dos Santos sob orientação da Profª. Dra. Sílvia Maria de Souza, e defendida em 2013 no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Federal Fluminense (UFF).


SANTOS, A. R. Vidas em jogo: uma análise semiótica da telenovela. 2013. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) - Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem, Instituto de Letras, Universidade Federal Fluminense, Niterói.

RESUMO: A dissertação analisa a telenovela, o gênero televisivo mais popular do Brasil, sob a perspectiva da Semiótica Discursiva. Elege-se como objeto a novela Vidas em Jogo, produzida e exibida pela Rede Record entre março de 2011 e abril de 2012. A telenovela é tomada como um texto, isto é, um todo organizado de sentido, devido à filiação teórica adotada graças a qual se considera texto todo e qualquer objeto dotado de significação. Dentre as ferramentas teóricas fornecidas pela semiótica, este trabalho se concentra nos níveis narrativo e discursivo, a fim de compor, por meio da análise, o esquema narrativo concretizado discursivamente por meio dos temas e figuras utilizados. Ao fim da análise, busca-se traçar a imagem de enunciatário inscrito na telenovela, bem como observar em que medida o discurso da telenovela reforça os valores eleitos e disseminados pela emissora.

Palavras-chave: 1. telenovela, 2. Rede Record, 3. análise semiótica.


26 de jun. de 2014

Dissertação - A PERSUASÃO EM TEXTOS SINCRÉTICOS

A dissertação recomendada pelo blog do SSU nesta semana tem como objetivo a análise da persuasão em anúncios produzidos pelo Ministério da Saúde. A perspectiva utilizada é a Semiótica Visual, fundamentada nos trabalhos de Jean-Marie Floch e Antonio Vicente Pietroforte. A pesquisa foi desenvolvida por Lyssandra Maria Costa Torres e defendida em 2013 no programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Ceará.

TORRES, L. M. C. A persuasão em textos sincréticos: uma leitura semiótica de anúncios do Ministério da Saúde. 2013. 87f. Dissertação (Mestrado em Linguística) - Centro de Humanidades, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza.


Resumo: Esta dissertação ocupa-se do estudo da persuasão em textos sincréticos à luz da Semiótica Discursiva. Para tanto, discutimos o fazer persuasivo na esfera do percurso gerativo do sentido e o modo como as categorias da dimensão plástica do plano da expressão potencializam o efeito de persuasão em textos sincréticos, a saber, quatro anúncios do Ministério da Saúde. Conduzimos nossa discussão apresentando as definições gerais da persuasão para depois tratá-la em diferentes alçadas: Retórica Aristotélica, Nova Retórica, Linguística e Semiótica Discursiva, em que a persuasão é apresentada como um fazer persuasivo ligado à instância da enunciação. No quadro da teoria semiótica, expomos, com base nos estudos de alguns semioticistas, como Barros (1988; 2005; 2012b), Bertrand (2003), Greimas (1983; 2004) e Greimas e Courtés (2008), as possibilidades da persuasão em cada nível do percurso gerativo do sentido, partindo de alguns conceitos que se ligam a ela, como manipulação, fidúcia e veridicção. Indo além, apoiamo-nos nas contribuições de Floch (1985), e em seus seguidores, como Teixeira (2008; 2009) e Pietroforte (2006; 2007), para apresentar as categorias analíticas da dimensão plástica do plano da expressão (cromáticas, eidéticas e topológicas). A respeito da persuasão no texto sincrético, alguns questionamentos surgiram: se ocorre mais fortemente pela verbal, pela não verbal ou pelas duas dimensões juntas, e, também, se os mecanismos persuasivos exibem conteúdos equivalentes, fazendo-se valer relações semissimbólicas e um efeito enunciativo global. A partir da análise, vimos, dentre outras estratégias, que o enunciador Ministério da Saúde mescla recompensa e ameaça pelos tipos de manipulação, que produz efeitos de subjetividade e objetividade pelas debreagens e que se utiliza de configurações plásticas do plano da expressão para intensificar a persuasão nos textos analisados. Os resultados mostraram que o enunciador ora cria uma imagem de si polida, ora não, apresentando-se, por vezes, como um destinador-manipulador genuíno. 

19 de mai. de 2014

A fórmula desenvolvimento sustentável na perspectiva da Semiótica

A dissertação em destaque é de autoria da pesquisadora Júlia Lourenço Costa, defendida em 2013 no Programa de Pós-Graduação em Semiótica e Linguística Geral da FFLCH-USP, sob orientação da Profª. Norma Discini.

Resumo: A proposta da dissertação é analisar o sintagma desenvolvimento sustentável do ponto de vista da possibilidade do diálogo teórico interdisciplinar, visando conjugar a noção de fórmula (Krieg-Planque, 2010), advinda do campo teórico da Análise do Discurso francesa, com o conceito de configuração discursiva (Courtés, 1979-1980 e Fiorin, 1990) formulado pela Semiótica greimasiana. Como fórmula, o sintagma é compreendido como conjunto discursivo, que incorpora determinado momento sócio-histórico, passando a funcionar como sintetizador de questões políticas e sociais. A fórmula remete à cristalização, sob a qual subjazem instabilidades. Como configuração discursiva, o desenvolvimento sustentável é apreendido pelas variações temáticas e figurativas, compreendidas como investimentos semânticos que oscilam entre um núcleo invariante e suas variações de realização. Observa-se então a relação entre o núcleo e as variantes discursivas que orbitam em torno dele, fazendo parte de seu funcionamento linguístico e discursivo. Dessa maneira, a noção de fórmula pode ser pensada pela configuração discursiva própria de cada ato enunciativo que dela se utiliza, os quais, cada qual a seu modo, erigem a significação pretendida. Mediante as análises feitas de cinco anúncios publicitários publicados na revista Veja, entre os anos de 1991 e 2011, e do artigo de opinião O infiel de Luiz Felipe Pondé, publicado no jornal Folha de São Paulo, pudemos depreender que, como configuração discursiva e interdiscursiva, a fórmula funciona na cenografia (Maingueneau, 2008a), enquanto espaço delimitado por uma cena genérica estável. Mas funciona principalmente como instabilidades, à qual subjaz a orientação discursiva do enunciador, apreendida no enunciado. A cenografia é o lugar da semiotização da fórmula, à medida que nesse espaço seu funcionamento instável se reveste pela validação construída na enunciação, além de revestir semanticamente a significação pretendida por meio da configuração discursiva convocada. A semântica do nível discursivo foi priorizada como lugar de observação semiótica do fenômeno fórmula, tendo em vista que por meio dos temas e figuras nela apreendidos, é possível o vislumbre de uma visão de mundo (Fiorin, 2004) compreendida enquanto formação ideológica discursivizada.

COSTA, J. L.A fórmula desenvolvimento sustentável na perspectiva da Semiótica. 2013. Dissertação (Mestrado em Semiótica e Linguística Geral) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo.

21 de abr. de 2014

DISSERTAÇÃO - Ciência e Jornalismo


As pesquisas acadêmicas acerca do jornalismo científico já gozam de longa data no Brasil. Inicialmente restrita aos estudos comunicacionais em universidades do eixo Rio-São Paulo, já faz algum tempo que essa temática passa a interessar também pesquisadores de outras regiões do País (sobretudo nas regiões Sul e Nordeste), além daqueles ligados às áreas de letras e linguística. Entretanto, das pesquisas já realizadas, muito poucas utilizaram a semiótica greimaisana como referencial teórico. O trabalho do qual falamos é um desses exemplos.

O livro Ciência e jornalismo é uma adaptação da dissertação de mestrado da autora Liliane Calado, defendida em 2012 no programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba (2012), sob a orientação da professora Olga Tavares. A pesquisa de Calado consiste basicamente em uma análise semiótica de um conjunto de reportagens (sete ao todo) sobre ciência e tecnologia publicadas na revista Época durante o ano de 2010. A metodologia empregada se ancora na abordagem standard da teoria de Greimas, aplicando-se o percurso gerativo de sentido, somada às contribuições da semiótica visual, de Jean-Marie Floch e Antonio Vicente Pietroforte – algo que se revelou bastante pertinente para se analisar as relações entre textos e imagens presentes no corpus.

Segue abaixo o resumo da pesquisa, extraído da dissertação original:

A ciência e seus desdobramentos fazem parte da história da humanidade. Nos dias atuais, percebemos sua evidência em nosso dia a dia, desde ações triviais, como também em questões complexas, como a clonagem humana. A mídia, por sua vez, reconhecendo o poder da ciência, tem propagado os avanços científicos em seus suportes e é de acordo com essa perspectiva que se consolida a produção de jornalismo científico, uma prática que visa a divulgação da ciência sob a égide dos padrões jornalísticos. Sendo assim, o presente estudo buscou compreender a construção de discursos de textos verbais e não-verbais inseridos na seção Ciência & Tecnologia da Revista ÉPOCA, que se propõe a divulgar assuntos científicos. Para isso, selecionamos sete matérias dessa seção veiculadas no período de janeiro a dezembro de 2010. Nas análises, aplicamos os princípios da semiótica greimasiana, que tem como base metodológica o percurso gerativo de sentido, que mostra a produção de significados do texto em patamares. Buscamos evidenciar os efeitos de sentido provocados pelas estratégias discursivas escolhidas pelos repórteres e as articulações que se confirmam na formação desses textos.
Palavras-chave: jornalismo científico; ciência; semiótica; discurso; revista ÉPOCA.

Referência: CALADO, Liliane. Ciência e jornalismo: a construção do sentido do discurso jornalístico-científico no texto verbal e não-verbal de reportagens da revista Época. João Pessoa: Marca de Fantasia, 2012. 233 p.

Para fazer o download gratuito do livro, acesse o link: http://www.insite.pro.br/elivre/ciencia%20e%20jornalismo%20pc.pdf